sexta-feira, 6 de julho de 2007

Crédula ou optimista?

O mais novo caiu. Deixámo-lo cair. Deitado no muda-fraldas levantou o rabo até ficar, literalmente, sem chão, ou melhor sem muda-fraldas. Já passou! O susto! A lição ficou.

Preâmbulo feito, as considerações. Ainda que tivesse chorado logo, tivesse acalmado também de imediato no nosso colo e sorrisse logo de seguida, achámos por bem (nós e a linha saúde 24) levá-lo ao hospital (a queda foi desamparada, de um sítio alto, muito alto).

Lá fomos, a um hospital que nem conhecíamos e de que não tinha grandes referências. Chegámos e fomos atendidos de imediato. Tivemos, obviamente, prioridade de atendimento. A médica que o observou mandou-o fazer 3 raios-X que foram feitos, logo. O resultado chegou, de imediato, e por computador à médica. A dúvida que lhe ficou obrigou-nos a mudar para um hospital central.

E a única coisa que correu menos bem foi neste período. Longa foi a espera por uma ambulância. Serviço este que foi prestado por uma empresa privada.

Chegados ao hospital central novo e rápido atendimento só para confirmar o diagnóstico. TAC. E infirmação.

Tudo bem com o rapaz.

Por tudo isto e muito mais; e neste muito mais inclui-se um centro de saúde que funciona BEM. Para onde ninguém vai às 6 da manhã marcar consultas. Onde as consultas não-urgentes podem ser marcadas a qualquer hora e demoram 4 a 5 dias. Um centro de saúde onde os meus filhos têm horas previamente marcadas para ir às vacinas. (porque coitadinhos dos meninos que não podem estar à espera) Onde os horários são razoavelmente cumpridos; eu acredito no sistema de saúde português.

Por tudo isto e muito mais eu acredito num sistema de saúde público. (Como acredito num sistema de ensino público, mas isso é outra conversa)

Por tudo isto e muito mais eu (ainda) acredito no meu país e nas pessoas do meu país. Ainda que não ande de olhos fechados, nem ouvidos, e saiba que há coisas que não estão bem. Que há pessoas que são mandadas trabalhar quando não estão obviamente capacitadas, física e psicologicamente para isso.

No dia em que não acreditar ponderarei obviamente o fazer-me à estrada. :P E levar (TODA) a família atrás que eu cá nõ vivo sem a sua luz. :D

25 comentários:

Cool Mum disse...

Nem uma coisa nem outra.
Kiss

Mae Frenética disse...

Flores, ainda bem q assim é. Sinceramente q sim.
E fico bem feliz pelo pimpolho estar bem.

Mas eu continuo a achar q ha erros imbecis e facilmente evitados nao fosse alguma vontade extrema de descer o defice. Pronto.
Se calhar as historias q tenho para contar sao mais negativas, o passado nao ajuda... eu sei, cada um fala do q conhece e os pontos de vista reflectem a nossa vida.

Eu sou mais optimista do q o q pintei num dos ultimos posts, mas aquele assunto mexeu tanto comigo, trouxe-me tantas recordaçoes q nao consegui deixar de o escrever...

E se for embora tb tenho de levar toda a gente atras. Inevitavel. Somos portugueses e essa é, para mim, a nossa grande e maior qualidade.

Um beijo grande.

anne disse...

Eu sou bastante mais pessimista. Mas a culpa tb é do facto de trabalhar no "meio" e saber de coisas que me deixam fula.
Mas quero acreditar, com toda a força, que isto vai melhorar. Temos é de ganhar coragem para tirar do poder os partidos que já mostraram que não nos estão a ajudar.

. disse...

Ainda bem, meu amor. Há execepções. Eu, por um tombo do sofá abaixo, estive nove horas dentro do hospital. Mas aqui a questão nem é a forma como somos atendidos ou não. Obviamente, há casos prioritários e conjunturas favoráveis. Já fui atendida num centro de saúde por um médico amoroso, educado, prestável e sem pressa. Mas isso não apaga as imagens retidas ao longo de muitos meses de gente acumulada, como em contentores, todos a respirarem o mesmo ar viciado, a receber de graça os vírus uns doas outros, hora e horas. Velhos ali eternidades à espera (da morte?), nos corredores. Mães desesperadas com os filhos a arder em febre a dar murros nas portas pq alguém perdeu a ficha (se visses as vezes que eu já assisti a cenas destas...). E olha que nem levo o gabriel muitas vezes a urgências, só mesmo em casos de aflição. Sei que a culpa não é dos médicos, enfermeiros e auxiliares. Muitas vezes, como podem fazer face à falta de meios? Uma vez, horas de espera depois, um pediatra das urgências disse-me: estou aqui a atender sozinho desde o turno da noite. Vocês em vez de se chatearem na sala de espera deviam escrever no livro de reclamações...


Ainda bem que tens uma experiência positiva, Flores. Há muita gente boa e competente por aí, pelo nosso País. Há horas mágicas. Mas tens sorte se assim for sempre. É uma benção. Porque eu cada vez que vou a um hospital saio de lá a chorar de raiva, de desespero, de tudo. Por mim e pelos outros. Poq o ser humano merece muito mais do que implorar que o atendam, que lhe dêem uma oportunidade de viver.

Anônimo disse...

Um beijinho à mãe pelo susto e ao pirralho... pelo susto também!

(eu confio no sistema de saúde que temos - salvo algumas excepções, algumas da quais infelizmente se viveram no seio da minha família)

. disse...

Desculpem as gralhas. Enervo-me.

. disse...

Flores, qdo puderes faz aí um post do sistema de ensino público. Gostava de ouvir pontos positivos, já que é outra situação que me deixa cega de tristeza. Ver jovens como a minha irmã sem poder casar ou ter filhos pq o sistema de ensino é tão justo para milhares de pessoas, em que os professores são saltitantes e arrastam-se pelos centros de emprego. O meu vizinho, casado, comprou a casa toda lindinha e tal. Nunca os vi lá. Ela foi colocada no Fundão; ele nos Açores. Fabuloso. Como eles, não há fim para esta fente desesperada, sem futuro. Sistema de ensino só se fosse no tempo em que a minha mãe dava aulas, havia lugares para todos, os professores eram respeitados e felizes, os miúdos habituavam-se e confiavam na figura do docente. Desculpa a azia...não tem nada a ver contigo, claro, minha Frôzinha. É o tema. Gostava de morar na tua terra.

Flores disse...

luz, percebo-te. lá está: somos aquilo q vivemos. Não tenho professores na família directa. vejo a questão de outro ângulo. do ponto de vista dos alunos.

se nada mais houvesse a dizer os recentes casos das universidades privadas falam por si. estou à-vontade para falar q ajudei a alimentar este monstro durante uns tempos. :)

. disse...

Flores, entendo. Cada um fala de acordo com as perspectivas mas, em certos casos, não podemos olhar só para os nossos casos. Andam aí muitos ricos a dizer que até se vive bem em Portugal. Em relação ao ensino, eu olho do lado de lá e do de cá. Tb fui aluna, não me queixo. A universidade onde andei é um grande orgulho para mim e para o País. Mas o sistema de ensino não se resume às universidades e, mesmo aí, vê bem os cortes orçamentais que têm sido feitos. Até aí se está a desinvestir, vergonha das vergonhas. Vou dar uma volta. eh eh eh. Eu sou optimista e crédula, sabes? Mas, pelo que tenho visto, não tenho conseguido ser uma coisa ou outra. Se pudesse, vendo que o País está pior do que nos tempos da ditadura, com um homem com tão pouca auto- estima que tem o perfil certo para se tornar um déspota, não mudava o Governo daqui a dois anos. Mudava- o ontem. Pq eu acredito nos portugueses, não acredito em política. Calei-me...senão não saio daqui.

Flores disse...

PÁRA TUDO!!!

oh pá, ñ vás. agora tenho q me justificar. ñ faço apologias políticas e certamente ñ faço a este governo. ATENÇÃO! o q disse sb o sistema de saúde aplica-se hj, com um governo socialista, como se aplicaria com um governo de direita. esta é a minha experiência. se calhar beneficio do facto de ter um bom pediatra (mto, mto disponível) e de os meus filhos raramente ficarem doentes. Esta foi a segunda vez q entrei num hospital, em 2 anos e meio de maternidade.

Eu acredito no conceito de sistema de ensino público, para todos e onde todos tenham os mms direitos. Tal como acredito num sistema de saúde público, onde a lógica ñ seja poupar nos exames pq são demasiados caros e portanto é melhor ñ se fazer. Ou, quem tem um seguro de saúde tem tudo, quem ñ tem ñ tem nada.

Capice?

. disse...

A minha primeira frase não está nada repetitiva. LOLL. Mas dá para perceber, julgo.

Mae Frenética disse...

Minhas amigas, "encostem-se a mim" e vamos, pelo menos, da nossa parte, fazer este país um bocadinho melhor criando os nossos rebentos como deve de ser.
Assim, pode ser q eles nao se queiram ir embora...

:)

. disse...

Flores, eu sei que o teu comentário nada teve a ver com a política. Eu é que discorri para outras bandas. Tb acredito no conceito de ensino e saúde públicos. E sonho muito com um justo... Mas fico-me mesmo pelo conceito, que as privatizações dos hospitais vão tb trazer novas e arrepiantes surpresas. Em suma, alguém trava isto, antes que nos sejamos mesmo o país mais pobre e decadente da Europa? Aliás, não somos já? Beijinho

. disse...

Fren, eu vou mais longe e peço sempre que cada um de nós faça o melhor junto dos outros, todos os dias, tenhamos nós o trabalho que tivermos.

Flores disse...

fren,

daí o futebolista ñ ser nada mal pensado. já viste algum futebolista emigrante tuga partir e não levar a família toda atrás? ;)

Flores disse...

estrelinha,

cabe-nos a nós mudar (ou tentar) mudar isso, certo? ;)

vamos pegar em cravos, novamente? q eu cá gosto de revoluções pacíficas. :)

anne disse...

Estrelinh: disseste muito bem "Mas fico-me mesmo pelo conceito, que as privatizações dos hospitais vão tb trazer novas e arrepiantes surpresas"
É que é isso mesmo. Desde que os hospitais desataram a privatizar piorou. Quer dizer, as condicções dos hospitais estão melhores, mas deixaram de ser grátis. E a conversa do "se os doentes provarem as necessidades" é só para inglês ver.

Mae Frenética disse...

Eu gosto de cravos. Mto. Foram a decoração do meu casamento e deixou os cabelos em pé a mta gente! LOLOL

"Pra quando?..." :)

. disse...

Patrícia, dá medo...


Fren e Flores, quer-me parecer que, muito em breve, vamos precisar de cravos outra vez. Beijinho a todas.

Raquel disse...

Os meus filhos são seguidos num centro de saúde por uma médica de clínica geral, que também acompanhou as minhas duas gravidezes.
Não tenho nada a apontar. Estou muito satisfeita.

Se apontamos os defeitos também temos que enaltecer o que corre bem.

E do ensino público só tenho a dizer coisas boas no que diz respeito às minhas vivências passadas como aluna.

Não penso por nenhum dos meus filhos em colégios privados. 1º porque não sou rica e depois porque acho que têm que se preparar para o Mundo Real.

Gostei de ler e ainda bem que tudo não passou de um valente susto.

Beijos

Mãe da Rita disse...

Gostava de saber onde é esse pois aqui na freguesia somos uns 14000 sem médico de família... às 37 semanas de gravidez estive, com 39 de febre à espera de médica durante hora e meia sendo eu a 1ª... Sei lá se funciona, acho que tem dias e é uma questão de sorte... Ainda bem que o cachopo não sofreu consequências da queda. Bjs

ddm disse...

Ainda bem que foi só um grande susto e que está tudo bem.

Confesso que não tenho recorrido muito ao Sistema Nacional de Saúde, dependência de um Seguro de Sáúde e a felicidade de mais ou menos termos sido todos saudáveis.

Sei que o meu Centro de Saúde até funciona bem (muito semelhante ao teu Flores! E isto leváva-nos a outra conversa que não é para aqui...), mas só há uns meses nos foi atribuída uma médica de família e a experiência que tenho é que só com médico de família a marcação de consultas começa a ser mais fácil.

Preparamo-nos para fazer com ela uma consulta familiar, queremos conhece-la e quermos que ela nos conheça... veremos.

Bjs

Cristina disse...

Ainda bem que não passou de um susto.
A Leonor quando faltava um dia para fazer um ano, 31 de Dezembro, caiu de uma cama na Madeira. Uma cama alta, caiu de costas e bateu com a cabeça. Foi a única vez que fui às urgências. Esperei quatro horas, porque foi considerado prioridade verde. E afinal, a miúda tinha um traumatismo craniano com fractura. Teve que ficar em observação o dia todo e por pouco não passávamos lá o fim do ano. Recorro muito pouco ao sistema público porque a pediatra está sempre disponível e tem horror a que se leve as crianças às urgências onde podem apanhar ainda mais infecções...
Fui bem atendida, não tenho de que me queixar mas este protocolo de manchester, ou whatever é muito subjectivo.
Mas não tenho tido boas experiências quando utilizava eu o centro de saúde. Agora, optei pelo seguro de saúde, com grande pena minha e do meu bolso...

As melhoras

Cristina

Ana disse...

Um beijinho especial para o pequeno que deve ter doído e um especial para ti que deve ter-te nascido uma data de cabelos brancos com o susto.

As experiências fazem a opinião. Por enquanto nem sim nem sopas. As vezes é bom outras vezes é mau. Tem dias!

sandra disse...

Olá, olá...pois eu posso relatar experiências positivas e negativas, enfim. Coisas da vida, do sistema, seja como for.
Quanto ao sistema de ensino, aguardo ansiosamente um post!!! (Se foste ao meu blog últimamente deves saber pq)

bjs
Sandra