quarta-feira, 23 de abril de 2008

(Des)organizações domésticas (familiares)

Ontem vi uma reportagem sobre uma família numerosa. Eram 7 crianças (rapazes) e eu admir(ei)o-os.

Mas mais do que a organização interna (os mais velhos ajudam a despachar os mais novos, aquecem-lhes o leite e assim...)

Mais do que a organização familiar (o pai arranja-se e vai levar o mais velho à escola, depois volta para ajudar a tratar dos outros 6)

Mais do que a independência dos putos (miúdos com 4 anos a vestirem-se sozinhos!?)

Mais do que o estilo de vida. (barulhento!?) :)

Admiro-lhes a capacidade de organizar despensas.

(Serão todas assim ou é só para inglês - TV - ver?)

E depois podíamos abrir de novo a discussão e pegar na tua frase; aquela da disponibilidade, que não só financeira, para cada um deles e para nós e questionar (como eu o fiz) se é justo que irmãos mais velhos ajudem a cuidar de irmãos mais novos. É justo? (Incute-lhes responsabilidade e tal, e tal, mas é justo???)

E agora acrescento que não quer dizer que seja isso que acontece naquela casa, atenção, que 5 minutos de reportagem televisiva não são suficientes para avaliar um estilo de vida. Foi só o pensamento que me ocorreu.

Mas também não era sobre isso que eu ia falar.

Era sobre a despensa. A despensa!

24 comentários:

Bekas C. disse...

Gostava de ter visto! (A despensa) ;)

Repolha disse...

Não, não é justo - mas é o que acontece e não é preciso que sejam muitos. Com 2 isso tb acontece. E nunca é justo, mas também pode não ser dramático desde que os adultos saibam quando deixam de incutir responsabilidades para passarem eles próprios a demitirem-se dessas mesmas responsabilidades passando-as aos filhos mais velhos (e isto tb acontece e com filhos mais velhos que não passam de bebés e (aiiii!) o que eu espero não cair nesse erro...).

A minha despensa é e será um caos (ou, eu tenho mesmo que mudar muito!)

A minha miúda é - para já - filha única, tem 3 anos e veste-se sozinha desde que a roupa não seja complicada :P

Anônimo disse...

Eu não vi a reportagem mas, pela minha amostra - que é bem mais pequena que a dessa família, com toda a certeza - a despensa é realmente organizada, hehe.

Quanto ao resto... eu acho que lhes faz bem, desde que seja sem exageros e sem passar aos filhos responsabilidades que são dos pais. As minhas mais velhas também ajudam - mas isso, AJUDAM, não são responsáveis por.

Tudo é um pau de dois bicos, não é?

Da minha experiência (filha única, versus mãe de quatro filhos!), acho que temos mais vantagens do que desvantagens.

Flores disse...

Bekas,

eu fiquei envergonhadíssima (e a minha não é mto desorganizada) :)

Repolha,

tb eu, espero. Estas dissertações servem-me sobretudo para me ver ao espelho, percebes? O meu puto mais velho podia (devia?) perfeitamente vestir-se sozinho. O drama é sp o raio das pressas. Mas já percebi essa de ter q lhe dar mais autonomia. :)

Alda,

eu tb acho q há mais vantagens. O «drama» é saber gerir isto.

Lara disse...

Vi a reportagem e também fiquei a pensar, sabes?
Tudo me pareceu frio, demasiado automático... e as olheiras da mãe, reparaste?
Fiquei a pensar que admiro quem tenha sete filhos, mas acho que, de facto, prefiro ter uma ou, quem sabe, mais um ou dois. Mais do que isso não.
Acho que são atribuídas muitas responsabilidades aos mais velhos. Além de que tenho sempre uma dúvida muito grande: como é que se dá carinho e atenção a tantos filhos?
Mas sem viver as coisas não posso ir mais além dos "será que"...
Mas, olha, o meu armário das mercearias (que eu cá não tenho despensa)também está sempre arrumadinho!
Bjs

Ana Paula disse...

E como era a despensa?

InêsN disse...

lol não vi a despensa!

quanto à tua questão...até pode ser injusto mas não há injustiças muito mais graves na vida? com essa podemos bem, acho...

(mas isto de falar de famílias com muitos filhos virou moda?? uma gaja até quer tirar a coisa da cabeça mas vocÊs nao deixam, pá!!)

:p

Mar disse...

E é justo para os mais novos serem cuidados por um irmão mais velho em vez dos pais?

Tal como se pode ter filhos a menos (e faltarem em casa gargalhadas, cumplicidades e tudo e tudo), acho que também se pode ter filhos a mais (e faltar tempo e espaço para cada um; tempo DOS PAIS para cada um). Quanto é que é a mais cada qual saberá dizer para si.

T disse...

Acho que sem essa organização deve se impossível... Quanto ao resto, confesso que já pensei muito nisso. Há dias falava com a minha obstetra sobre o assunto. Ouço-a mt, é uma mulher prática e de juízos mt certeiros. Diz-me ela q acha que com mais de 4 ou 5 filhos é mt complicado dar a atenção que eles precisam, porque o dia continua a ter 24 horas e não hã boa vontade que consiga... Será?

ddm disse...

Não acho que seja justo...
Cá em casa a mais velha ajuda, mas dentro da dinâmica de família em que todos cooperam, não é uma resposabilidade dela.
E agora até ele vai buscar os indivduais para a mesa do jantar. :)

Tenho voltado a pensar muito na questão 3.º filho e até falámos disso... mas se a disponibilidade financeira condiciona (muito!), neste momento sentimos que é principalmente a uma questão de equilibrio do tempo e espaço que temos para estar com eles e a necessidade de tempo e espaço para estarmos sozinhos.

Já agora eu sou do tipo organizada... :D

Márcia Carvalho disse...

não vi a reportagem nem sei a que contexto ela surgiu. Mas parece-me que este assunto é sempre discutive e, como em tanta coisa, tem os dois lados. os mais velhos tratam dos mais novos. Como? Substituem os pais totalmente. Os mais novos estão entregues aos mais velhos? Ou, pelo contrário, são ajudados nas tarefas mais simples. isto não me parece mau. O meu filho tem 4 anos. tem um irmão com 1 ano. Veste-se sozinho enquanto eu ou o pai vestimos o mais novo. Isto é injusto?! Eu promovo sempre que posso a autonomia dos meus filhos. isto é injusto? Não me parece justo obrigá-los a crescer. Mas também não acho que se deva dramatizar esta questão. Prepará-los para a vida é uma questão de educação e nos limites próprios só pode ter beneficios. O ideal será ter um filho e dar-lhe tudo o que temos material e emocional?! Conhceço filhos únicos que o lamentam. Mas ainda não conheci uma família onde os irmãos não se gramem! Ter um único irmão pode por vezes tronar-se tão injunto ou mais como ter 4 ou 5 ou 6. É, como sempre, uma questão de bom senso. Além disso eu que (só) tenho 2 filhos também tenho olheiras e uma dispensa organizada :)

Charilas disse...

Olha, eu ajudei e bastante a criar o meu irmão mais novo, temos 15 anos de diferença. Concordo inteiramente com o que a Alda diz, ajudar é uma coisa e até pode ser positivo para todos mas, substituir os pais nas suas responsabilidades é outra coisa bem diferente.

Conta lá da despensa! :)

Beijinhos,

Sandra

LP disse...

A questão da justiça depende de família para família. Acredito que algumas pessoas conseguem ter o tal espaço e tempo para muitos, outras só o conseguem para um ou não o conseguem de todo e o melhor é não terem filhos.

De qualquer forma, a partir de um determinado número de filhos é mesmo preciso organização mas mais do que isso, é preciso uma despensa GRANDE!

Cristina disse...

Concordo. Os filhos mais velhos têm de ajudar, não substituir os pais.
Eu já com duas, vejo-me aflita para dar tempo de qualidade a cada uma. Quanto mais 7... lol

Cristina

Rita Quintela disse...

Não acho justo dar aos filhos as tais responsabilidades que são dos pais mas parece-me pefeitamente razoável que, numa família grande, existam valores de partilha, nomeadamente de tarefas. E de independência. Cá em casa, aos quatro anos, tomar banho e vestir é sem grandes ajudas.

carla disse...

Não vi a reportagem, mas acho que ajudar n faz mal a ninguém, até vejo o ajudar como partilha. O meu mais velho já ajuda em algumas tarefas e penso que n lhe faz mal nenhum, ele veste-se sozinho desde os 5 anos, ela com 4 já se consegue vestir mais ou menos e calça-se sempre sozinha. Não vejo no ajudar nada de negativo, mas sim de crescimento e de partilha, claro que tento que seja adequado às idades deles, mas o que eu acho adequado pode não o ser para outros.

Bjs

Maria disse...

Gosto tanto dessa desorganização "organizada " dessas familias tão grandes..:)
um bjnho.

Ana Rute Oliveira Cavaco disse...

Justo? Todos os problemas no crescimento tivessem a ver com a responsabilidade que os irmãos vão tendo uns com os outros. Sou a mais velha de cinco irmãos, dos dois mais novos fui responsável por muita coisa, sem exageros. Só me fez bem. A tal partilha e unidade (pela proximidade de idades que temos, tb que essa família de 7 me pareceu ter) é um valor que se sobrepõe a essa questão da justiça.

É uma questão que me ocorre, muitas vezes. Os meus 3 filhos têm idades muito próximas ( o 2º e 3º apenas 12 meses e 1 dia) e sei que tenho uma indisponibilidade que uma mãe só com 1 não tem.

Mas ganham na fraternidade, crescem juntos e espero, sejam grandes amigos.

p.s.- vi a despensa. achei normal, lol!

Flores disse...

Ana Rute,

tb eu espero q os meus o sejam, mas lá está aquela malvada questão da culpa aliada à maternidade.

Os meus têm 2 anos de diferença, menos 12 dias, e ainda sou, de vez em qdo, invadida pelo sentimento do estarei a falhar em alguma coisa? Ainda q tenha a certeza de q lhes dei mto mais do q eventualmente lhes possa ter «roubado».

E pudesse eu e dava-lhes, já a seguir, mais um companheiro de brincadeiras e de partilhas.

Sem culpas!

Ana Rute Oliveira Cavaco disse...

o sentimento de falha e culpa tenho quase diariamente, mas tb estou numa fase muito exigente, o mais novo acabou de fazer 5 meses.

uns dias tenho mais certezas que outros, uns dias tomo decisões por uns e por outros e vamos gerindo isto a 5.

antes a 5 que só a 3, mesmo que a nossa vida de antes fosse um descanso financeiro (era) e a de agora seja um contar sucessivo para idas ao supermercado e farmácia.

. disse...

Eu achei bem. Todos ajudam todos, mas os pais é que cuidam. A isso se chama família. E a idade aqui não tem peso. É um pequeno preço a pagar para se ter muitos irmãos e uma família funcional. Aquela mãe teria que fazer tudo sozinha? Seria justo para ela? Bem basta ter a despensa arrumada. Lol. Luz

Loira disse...

Há tanto para dizer sobre esse assunto q acho q vai dar um post lá pelas minhas bandas. Subscrevo a Repolha. Mas deixa-me q te diga q tenho 3 irmãos e nunca me senti responsável por nenhum, por isso, acho q tb depende mto dos pais e da dinâmica familiar.
Depois, acho q depende das diferenças de idades, da disponibilidade dos pais (e energia) e também do factor económico (pq aquela teoria do tudo se cria, para mim não pega... há um mínimo).
Se pensar só em termos de urgência biológica, eu já podia ter uns 10 filhos (sim, eu sou daquelas gajas q tem muita vontade de procriar)... mas, em termos racionais, sei que o meu limite é de 3 filhos. Para mim ser mãe implica ter tempo para dar atenção aos meus filhos (personalizada, inclusivé)... eu sei q com mais de 3 não conseguiria (só se tivessem muita diferença de idades). Sou desorganizada, preciso de dormir 10 horas por dia para me sentir gente, e tenho um marido q só chega a casa às 23h... já para não falar do factor económico. (é claro q um empregada a tempo inteiro q me fizesse tudinho em casa dar-me-ia mais tempo para mais filhos, mas, com o feitiozinho q eu tenho, mesmo se fosse podre de rica, duvido que fosse capaz de ter cá alguém em casa sempre a observar-me).

O Z. (2 anos e 3 meses) ainda não se veste sozinho (já se calça), mas despir já despe quase tudo :).

Mae Frenética disse...

No meio disto tudo a unica coisa q me ocorre é q eu nao vi a reportagem!
Nao vi, pq e apesar de so ter 2 filhos e a despensa mais ou menos arrumada, devo ter mais olheiras q essa mae!! LOLOLOL

Acho q o comentario da Mar tem toda a logica...

Amélia do Benjamim disse...

A despensa por aqui está espalhada pela cozinha fora! LOLL

Não tenho a certeza que se tivesse tantos filhos não ia pedir mais que pontualmente a um ou a outro para ajudar o irmão, mesmo sabendo que não era justo ou razoavel, que era hora de brincar, ou que fosse ofício ou responsabilidade minha. Mas mimos teriam de certeza e uma dinâmica muito peculiar.
É uma perspectiva de vida tão diferente para imaginar!
Se bem que há relatos de irmãos responsáveis por irmãos mais novos, em tempos idos mas não muito distantes, sendo diferente o crescimento acelerando ou não, consoante o desaparecimento ou presença dos pais...

A despensa era mais uma assoalhada da casa, não? LOLOL