Há 2 coisas nele que me fazem andar um nadinha preocupada. Assim, um nadinha mesmo. O roer das unhas, que já passou para as peles. E os descuidos com os chichis. Até durante o dia na escolinha já aconteceram. (Ok, aconteceu, singular, e pode mesmo ter sido pela brincadeira levada ao limite.)
A reacção dele ontem quando com voz dura os mandei deitar (desatou a correr da sala, com o livro debaixo do braço, e uma expressão incrédula) deixou-me a mim perplexa. Vista de fora eu diria que ele é um puto com medo, assustado. Diria eu que ele era um miúdo a fugir não de uma ameaça, mas da provável concretização da mesma. Saliente-se que devem contar-se pelos dedos de uma mão as vezes em que levou uma palmada. Fiquei a remoer a reacção e fui deitar-me com ele, já o irmão dormia a sono solto.
Fizemos um jogo. Likes and dislikes. Eu e a parte de mim que tem a mania que é psicóloga andámos a tentar descortinar o que é que se passa na vida dele que o leve a estas 2 coisas. Não cheguei a conclusão nenhuma, claro, mas gostei à brava da conversa.
Falou-me da escolinha como nunca me tinha falado. Que hoje era o chefe da sala. Que ontem foi a Margarida e no outro dia a Laura. Que não é amigo do Tó porque ele morde e que a educadora o separou do Miguel porque (presumo) com os 2 juntos só saem disparates. Que não gosta quando eu o mando apressar e o «ameaço» ir-me embora e deixá-lo sozinho se ele não beber o leite rapidamente. (Me and my big mouth.) E quando lhe disse que gostava muito, muito dele ele respondeu-me que gostava muito do pai, do mano e da mamã.
Caraças, isto até pode nem ser nada, e não será certamente, mas já valeu por aquela declaração. E pelo momento.
E deixei-o deitado na cama e pensei de mim para comigo que se calhar é só isto que ele precisa. Um bocadinho de mãe. Da mãe que não alimenta, não dá banhos, não veste/despe, não conta histórias, nem dá ralhetes, da mãe que não é mãe de 2, mas de 1+1.
Ontem, foi a vez dele.
27 comentários:
Flores é isso ás vezes precisam de ser um bocadinho só eles. Quem não gosta de ter as atenções todas?
Mas não te preocupes não é nada demais vais ver.
bjkas para ti e para eles
O teu texto pôs-me de lágrimas nos olhos, não sei bem que parte nem sei bem porquê. Foi assim, espontâneo. 1 mais 1, é isso tudo. Eu costumo dizer que não amo os meus filhos, mas cada um deles, por inteiro. Parece igual, mas é diferente. Na vida deles, tudo faz diferença. Esse bocadinho extra de mãe deve ter sabido pela vida. Para ambos.
:)))))
likes e dislikes??? depois deixas de poder falar sobre ele com o pai em inglês pá! who cares se já falas dele com ele?! :DD
(como posso ter saudades de bébes se o que eu amo de paixão é conversar com elas? :DD)
Acreditas que ando na mesma onda? A Leonor anda-me a preocupar. Anda a precisar de mim e eu não consigo libertar-me da mãezite aguda da Mariana... Enfim...
Cristina
É isso mesmo! E nós não temos tempo (ou esquecemo-nos) de ser mãe de 1+1 tantas e tantas vezes...
Também andamos assim. Com (demasiados) descuidos com chichis durante o dia e evidentes sinais de necessidade de atenção. Tento sempre ter um bocadinho só para ele, à noite, na cama, e dizer-lhe que gosto muito, muito dele. Não consigo é que me conte nada de jeito, é tudo arrancado a ferros que o miúdo tem um feitio tramado e mete tudo para dentro.
Como é que é esse jogo do Likes and dislikes? Talvez me ajude.
Beijos!
FONIX.
Os meus tb precisam dessa oura mãe q tu foste ontem...
Se bem q a tiveram nas ferias, se calhar precisam dela é nas rotinas.
Agora fiquei de coração apertado...
Voltei. Reli o post. E realmente, essa mãe 1+1 anda um bocado ausente cá em casa.
Parei. Pensei. E vou agir. LOL
Obrigada pela ajuda (inconsciente)
Cristina
Mar,
foi inventado por mim e não deve ter qq sustentabilidade científica. :) É só uma forma de ele me dizer alguma coisa. Vamos dizendo coisas de q gostamos/não gostamos, sendo que vou puxando a brasa para aquilo q quero ouvir.
Digo gosto mto de dormir agarradinha a ti. Não gosto qdo vens para a cama da mãe pq fizeste chichi na tua. (Isto já na fase final, claro. Começo com os básicos. Gosto mto de ti e do mano, por exemplo.)
E ele vai dizendo o q gosta/ñ gosta tb. E ele diz gosto de dormir na cama da mãe e não gosto de monstros e bruxas. Serviu de mote para perguntar: e na nossa casa há monstros? Ele respondeu q às vezes qdo o pai e a mãe estão a dormir na cama deles e ele e o mano tb estão a dormir ouve passos. E acha q são do gigante. Logo, presumo q os descuidos nocturnos possam ser motivados por pesadelos. Mas é uma questão q vou abordar com o pediatra, claro.
Foi no seguimento de eu ter dito: não gosto de me zangar contigo e com o mano que ele me disse e eu não gosto qdo a mãe diz para eu me despachar e q se vai embora, sem mim.
Serviu tb por exemplo para (não) chegar a conclusão nenhuma sb as roedelas de unhas. Eu disse gosto de pintar as unhas. E tu? E como ele não respondia eu perguntei: gostas de roer as unhas? E ele respondeu q sim. Dps desviou o assunto e não consegui aprofundá-lo mais.
Meninas,
hj estou numa de reflexões e a verdade é q eu acho q ele começa verdadeiramente a acusar o toque de lidar com um mano q para além de ser mais pequeno (não digo bebé senão tenho a Zuza à perna:)), mas por ser completamente diferente dele e ser um CHARME, mesmo. Daqueles q faz as gracinhas todas, q repete tudo o q lhe dizem, q derrete corações. Uma estrela.
E não deve ser fácil ser irmão de uma criança assim, qdo somos o contrário disto tudo.
O M não entra numa sala cheia de gente q ele não conheça. Não dá beijos, nem é particularmente simpático ou afável. E tem de viver com um Dom Juan.
Quero acreditar q é (só) isto e q será ultrapassável.
Há-de ser Flores, cada um há-de ser irresistivel à sua maneira, e se um conquista mais rapidamente o outro conquista a longo-prazo, enfim...
Olha, eu agora que sou mãe a tempo inteiro chego muitas vezes à conclusão que só isso não chega, como disse a Cristina (e como fizeste ontem à noite) é preciso agir.
Um beijinho solidário
Pois ser mãe de dois pequeninos por vezes é difícil, temos de ter ainda mais capacidade para desdobrar atenções ;)
Beijinhos
Flores, parece-me que o menino está na fase dos medos. Nâo te querendo assustar, posso falar-te do meu caso. Eu tinha pesadelos horríveis todas as noites (tão horríveis que ainda me lembro deles). Passava noites em claro, paralizada pelo medo. Foram mtas as vezes em que acabei na cama dos meus pais... mas nem assim dormia. Ficava lá sossegadinha no meio dos dois e a ver monstros nas sombras.
Um dia, passou.
Os descuidos no chichi podem estar relacionados com isso ou podem ser só esquecimentos (são mais frequentes nos rapazes). Apesar dos medos, diz a minha mãe que nunca fiz um chichi na cama ou pelas pernas abaixo. Mas lembro-me tão bem de o meu sobrinho se descuidar, especialmente quando estava a meio de uma brincadeira que não queria interromper :D.
Qto à 2ª parte do texto, tenho para mim que eles precisam muito desse tempo. Se calhar, os que têm irmãos precisam ainda mais. Não é fácil ter irmãos mais novos (embora seja reconfortante tb).
big beijo
Tens um desafio no meu blog :D
Thanks, florinha. Vou agir, também.
(eu fui a irmã bicho-do-mato de um menino estrela e é muito difícil, mesmo).
pode muito bem ser d(isso).
além de família(s) q esbanja goluseimas, tb temos uma (duas, vá) q adora bébes. e como a J'inha é o mais parecido com isso (grrr) tem o mundo a seus pés. Mm sendo tão anti-social como a mãezinha dela. e a L. ressente-se, pois claro q ressente. Q ela é a estrela amorosa, conversadora e beijoqueira. Imagino se não fosse...
Acabo sp por agir com a mais velha e a falhar no tal 1+1 com a mais nova. Q curiosamente não dá sinas de se ressentir. Aparentemente!!!
eu sinto isso por ser mãe de dois meninos com 11 meses de diferença...precisam tanto os dois que sinto sempre não lhes dar o suficiente. a sara sendo a mais nova torna, inevitavelmente, o diogo no mais velho. e não sei se isso é bom para ele.
vou tendo momentos assim com os dois mas acho, tb, que tenho que reforçar a dose.
(obrigada!)
Penso muitas vezes na reacção do meu filho a um irmão e para já penso que ainda é cedo para irmãos (no caso dele, claro).
Ele é muito agarrado a mim, mas acaba por ter as características do teu mais novo, por isso não sei bem como seria.
Algo que só irei descobrir daqui a uns tempos valentes, quer-me parecer...
Mas, apesar de ser mãe de um, pareceu-me que agiste muito bem.
Gostei do vosso jogo.
Talvez o mais importante na vida é gerir o tempo... ter tempo para essas pequenas, mas fundamentais atenções, saber aproveitar as oportunidades de diálogo, de brincadeira!
É isso memso querida!
Mas sabes que gostei do que li ...da tua intrsopecção!
...e é tão bom conversarmos com eles!!!!
Bjs
Sou a primeira 1+1+1 ?
Já cheguei à conclusão que é mesmo preciso dosear (conscientemente) esses momentos, o que nem sempre se consegue. Se bem que já estamos na fase em que pode ser uma ida às compras a duas ou algo assim.
Das 3, tão diferentes por fora como por dentro, quem precisa mais (agora) é a do meio...
Cumbíbio? Anytime!
Espéctaculo... Adorei este post, porque escreves sempre bem, porque tb já passei por essa de me armar em psicóloga (se bem que não correu tão bem como tu) e pelos mesmos motivos... e tb por perceber, que embora custe, ou não dê jeito, ou não apeteça... eles precisam de nós assim, só pra eles :)
jocas
p.s. Ah eu sou a Mother_24, já espreito alguns meses, mas olha hoje apeteceu-me deixar a minha posta de pescada :p
http://www.clubedospais.pt/blog.php?u=635
Flores ao ler este teu post, identifiquei me a 100%, tenho esse exemplo lá em casa.
Quantos anos têm os teus meninos??
Como sabes eu tenho 2 meninas, a mais velha com 7 anos, introvertida, não beija nem fala a ninguem, como o teu se estiver uma sala cheia de gente ela simplesmente não entra e chora por não ser capaz, nas festas de aniversário onde só vão criança, em que os pais ficam á porta, ela não consegue ainda ir, preferindo ficar em casa, não roi as unhas mas com 7 anos ainda usa chucha.
Tenho a outra a bruna, mais nova que é a estrela, fala pelos cotovelos, repete tudo e tem uma gracinha magica, fala a toda a gente, beija toda a gente e é querida de toda a gente.
Está-me a ser dificil gerir esta situação, pois continuo sem saber o que fazer, se dou um berro ás 2 a mais velha foge a 7 pés (e raras as vezes que tb levou uma palmada) a mais nova simplesmente gaza-me e ri-se.
É dificil sim de compreender.
Gosto tanto de ti...
Fiz isso dos 3 aos 7 anos de Duda, altura que ela deixou a nossa cama e foi para a dela, até aparecer Alice... sempre que me deitava na cama dela falávamos, falávamos... hoje acredito que a relação que tenho/ganhei com ela foi graças a esses pequenos/grandes boas noites.... e hoje sou eu que ás vezes tenho saudades desses momentos! Salva-me o pai que fica de olho na Alice e eu mato saudades de Duda :D
È importante para eles, mas sabes, acredito que ainda mais para nós…
Bjs grandes
Alô, minha linda!
Pois, pois, mas para mim o Afonso é um morenaço lindo, lindo de morrer! :)
Tenho percebido que a Maria, pela primeira vez, começa a demonstrar alguns medos e a falar do lobo mau. Tudo muito "light" que a rapariga é uma despachada de primeira. E a reacção dela quando me zango ou sou mais dura no tom também mudou: baixa a cabeça e chora como se não houvesse amanhã. Um choro sofrido e sentido. Tanto que corro para ela e envolvo-a no meu abraço. O que vale é que cada vez é mais raro ter necessidade de levantar a voz nos últimos tempos.
Mas comenta com o pediatra e depois diz-nos qual a sua opinião.
Bjs nossos
Fofinho!
Adorei ler-te, Flores.
:)
Lindo o que fizeste. Ando tão longe, mas tão longe, desse meu lado de mãe. Eles sugam-me todos ao mesmo tempo e eu não consigo estar ou conversar com cada um deles.
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