sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A diferença que uma palavra faz

Recebo um telefonema profissional, para me fazerem um pedido, e tratam-me por dra.

Ora, eu, que não o sou, estranho o tratamento e estranho sobretudo porque partiu de um jornalista. Quem se movimenta no meio jornalístico sabe que esse é um tratamento que não se usa por dá cá aquela palha, nem mesmo no exercício das funções de jornalista, muito menos quando se dirigem a alguém em concreto e que trabalha mais ou menos na mesma área ou em áreas complementares.

O tratamento por camarada era uma coisa comum nas redacções dos jornais. O esquerdismo também. Ora, uma coisa leva a outra.

No final do telefonema olho com olhos de ver para o nome do dito jornalista e ligo-o a uma determinada família e a um outro jornalista/opinion maker famoso, cujas teses nem sempre são pacíficas, mas cuja família tem um nome que não acaba. Numa pesquisa rápida no google percebo que são, de facto, familiares próximos e na minha cabeça fica esclarecido o epíteto (pedante?!).

E agora tinha uma questão enorme a colocar, mas o que me ficou foi basicamente isto: eu, que defendo a liberdade acima de tudo (de direitos, de escolha, de valores), serei preconceituosa?

Só porque um jornalista me tratou por Dra.?

15 comentários:

me disse...

Eu acho que isso tem muito a ver com a cultura de empresa e até do meio.

No meu caso sempre trabalhaei em empresas que se cultivam os "você's", os "drs." e os "eng."! Não faço questão, e aceito qualquer tratamento.

Agora da minha experiência, quem não sabe e por defesa trata por Dr.(a) espera de volta o mesmo tratamento! :((((

Bjocas e bom fds

Luz de Estrelas disse...

Não sei quem seria o dito cujo. Só sei que as coisas estão bastante diferentes e agora os jornalistas tratam toda a gente por doutores, doutoras e engenheiros, para abrir melhor os canais de comunicação. Palavra de honra, Frô, neste País funciona.

Cristina disse...

Quando me chamam de doutora ainda estranho. Pareço tão mais velha. :) LOL
Faz-me confusão mas na minha área é o pão nosso de cada dia.

Cristina

Flores disse...

Luz,

percebo o q dizes até certo ponto. Acredito q abra canais de comunicação.

Mas estou a falar das coisas num outro nível. Imaginemos q eu trabalho na área de mktg. Divulgo um produto e recebo em troca um pedido do mesmo, tb para divulgação. E isto é comum na área cultural. Este pedido simples, de igual para igual, antecedido de um tratamento tão formal soa-me mal. Fiz-me entender?

Recebo centenas de pedidos destes e nunca tão formais. E acima de tudo, e é isto q me faz confusão nesta coisa dos tratamentos, e tb trabalho numa área q os fomenta, infelizmente, é que não conhecendo a pessoa ao certo, sabendo vagamente quais as funções q ocupa e nem sequer tendo a mínima noção dos mínimos requisitos curriculares para exercer tal função, mas assumir q ainda assim deve ser tratada por sr. doutor ou sr. engenheiro.

Faz-me comichão. Sei lá.

Loira disse...

O país dos doutores.... por acaso, não sabia que agora os jornalistas faziam isso (na minha altura era como dizes Flores), mas vou confiar na minha Estrelinha que acabou de me abrir os horizontes, pq ela é q exerce e conhece as manhas e as novidades melhor do q eu...
beijo
(Tb podia ser pedantismo, sim. acho q nunca se saberá :s.)

Loira disse...

Ah... e, sim, este país é um país de "dótores". Se nunca o fizeram, experimentem botar um pé num centro de emprego... as pessoas, coitadas, até as recepcionistas tratam por dótoras. Decadente, no mínimo...

M disse...

pois q a mim às vezes tratam-me por menina antes do dótora, e outras vezes em vez do dótora [no local de trabalho, entenda-se, q eu fora disso, nem no cartão multibanco quis o titulo] lool

da vossa [flores, loira, luz...e ainda falta a cj...credo! :P] área tb n sabia/sei cm é...mas é cm a loira diz, toda a gente é/quer ser tratado por dr/eng cm se isso as fizesse pessoas melhores....

n será melhor pensares q, por acharem q és/tratarem como dra, te tratam com mais respeito? ao menos por isso...n? é q, por exemplo no meu caso, costumo ter "alguns" problemas qd n me "vêm" como dra... :S

bj meu

Márcia Carvalho disse...

acho que esse tempo dos "camaradas" jornalistas já passou e, sinseramente, não sei se é tão mau assim nem sei se isso tem muito a ver com o tal país dos doutores. Parece-me que é um caminho historico que se percorreu. O jornlaismo foi claramente um profissão marcada pela esquerda e pela luta contra a ditadura. Entretanto ser-se jornalista tornou-se uma "profissão liberal". Quanto á questão que colocas parece-me pre-conceito teu. Se calhar se o tal não tivesse esses nomes todos tu não ficavas a magicar a coisa. Eu, por exemplo, uso essa técnica do pelo sim pleo não vai "doutor(a)" Não me sinto pedante mas acho que é educação, se calhar estou errada!

Flores disse...

Márcia,

é esse tipo de atitude q eu não consigo entender. Na dúvida, chamo. Lido com pessoas q exercem a mm profissão q eu, noutros países, e com posições hirarquicamente superiores e nunca me trataram ou eu a elas por dra. Tratamo-nos pelo nome. E nunca me senti maltratada ou destratada por ninguém. Muito pelo contrário. Há, de facto, uma cultura do dr./dra. em Portugal. Acho q temos é q alargar um bocadinho os nossos horizontes pq hj em dia o(a)s caisxas de supermercado são quase todos licenciados.

Há uma descontracção de tratamento em Espanha, França e até nos Estados Unidos q nos deixaria envergonhados.

E, admito, q neste caso pode ter havido mm um preconceito meu, mas a questão é q entre colegas (eu não sou jornalista, mas trabalho na área da comunicação) este não é um tratamento normal. Ou não o foi, atentando nas palavras da Luz. E lido com mtos jornalistas diariamente e foi a primeira vez q isto me aconteceu. Daí a minha estranheza.

Márcia Carvalho disse...

Em comparação com países estrangeiros definitivamente que nós somos uns "cagões"! Eu uso como te disse essa "técnica" porque sei ou imagino que a mal fica melindrada se lhe falta o dr. é na verdade alimentar o monstro. Quanto aos jornalistas (eu sou! mas fora das grandes redações) o que eu digfo é que o termo de "camarada" pode já estar a cair mas o espirito de "camaradagem" não! Eu ainda levo muito nas orelhas dos mais velhos quando os trato por "você"!!

Luz de Estrelas disse...

Percebi, Frô. Nesse caso, voto na hipótese de ser um pedante (lololol). Lita, acredita. Eu a brincar quando vou fazer um telefonem para alguém, pergunto ao meu colega: "Este é doutor ou engenheiro?" (risos e mais risos). "Não sei, trata-o por doutor, mesmo que não seja, eles ficam todos contentes". E tratar os presidentes da Junta por "senhores presidentes"? Até o código Multibanco me diziam se eu perguntasse. LOL: Ok, é um bocado sátira nossa, mas é triste constatar que funciona. Para nós, é um bocado no gozo porque nos é indiferente o cargo da pessoa, desde que fale...

Luz de Estrelas disse...

LITA????LITA??? Eu queria dizer Loira!

Luz de Estrelas disse...

Eiiiiiiiiiii. Entre colegas é tu cá, tu lá. Isso continua igual, graças a Deus. Mesmo que o colega tenha 90 anos é tu e mais nada. O meu exemplo referia-se somente ao tratamento dos jornalistas para com os entrevistados.

Eu disse...

(Cheguei atrasada???!?) Pois eu cá trato por Dr quando me referem directamente que é esse o cargo! Regra geral, o entrevistado é tratado pelo nome+apelido e está feita a festa. (Mas os ministros e presidentes são sempre ministros e presidentes, mesmo que seja o da tal Junta de Freguesia que a Luz falou LoL)

Carla Santos Alves disse...

Eh pá o que eu gostei de te ler!
O "Drª "acontece porque há preconceito do outro lada enquanto emissor da pergunta!

Bjs