Do alto dos seus quase 4 anos o mais velho diz noutro dia num estabelecimento público e para quem o quisesse ouvir:
- Olha aquele gordo, mãe!
(Glup! Que isso não se diz, blá, blá, blá... O sermão do costume - para ele - e a introspecção habitual - para mim. É verdade que não o deve dizer, mas acima de tudo quero ensinar-lhes que a diferença é normal e que, por isso, não deve fazer-se notar.)
E lá fui eu recorrer-me da muleta (no caso, do livro.)

E que belo livro!
No final, o jogo do costume. A Mara tem, de facto, orelhas grandes, mas não faz mal. A mãe usa óculos e é gorducha, mas não faz mal. (Ele diz que não, que sou fofinha. É um gentleman, este meu filho.) E que o irmão usa chucha, mas não faz mal.
E eu gosto deles, no matter what. (Há coisas que só se sabem realmente depois de se ter um filho nos braços. Gostarmos deles, no matter what, é uma delas.)
15 comentários:
Aí está, nem mais... Também tenho recorrido a essas muletas, também em livros, às vezes em histórias "adaptadas" para o efeito. É o exemplo, a força do exemplo. Vale mais do que um ralhete, lembram-se mais da história da Mara que de nos ouvir dizer "não".
olha pois q é uma boa pegagogia sim senhora....já do "no matter what", será q é mm assim? e o q fazes c as [tuas] expectativas? aprendes a relegá-las p as vontades deles? fossem todos cm tu, flor maria....e seria mais facil suportar as nossas frustrações q as dos nossos pais...
bj meu
És tão doce Flores!
Bjs gandes
Tb uso livros. Para esse caso temos cá em casa um do Todd Parr: "Não faz mal ser diferente", que curiosamente foi trabalhado este ano na sala da T.
O meu também diz que eu sou fofinha ;)
Eu uso quase sempre histórias, mas umas inventadas por mim "de quando o tio P. era pequenino" e também resultam muito bem.
Monikyta, deixa lá os termos técnicos de lado ou põe legendas nisso. :) Quais expectativas? As minhas em relação a eles? Para já passam por coisas tão simples como vê-lo aprender a nadar, a crescer, a descobrir o mundo. De resto, e enquanto adultos espero que sejam bem formados, interessados, mas acima de tudo boas pessoas.
Expectativas e desilusões todos temos. Mas não deixamos de gostar por isso. Ou melhor, se calhar até podemos deixar, mas não qdo se trata de um filho.
Ou então ainda não passei, obviamente, por nada q pusesse à prova esse amor. E espero não passar, claro. (Serão estas as expectativas de q falas?)
eu, por exemplo, tb gosto de ti no matter what (sapatos inclusivé :DD), q é quase 6ª e não sei se estarei por cá amanhã ;)))
gostamos deles forever e babamos de orgulho forever tb. e fizeste-me lembrar do meu pai ontém à noite q enqto eu falava com a minha manhe ao telefone ele perguntava ao lado pela minha ultima nota de exame... 34 anos, duas filhas, já um curso e ele continua a orgulhar-se tanto...
Mas percebo e assusta-me a questão da Monikyta...
A força dos livros e das histórias. Atingem mais do que o sermão e a tentativa de explicação científica... Tu realmente, tens uma veia bem psicológica. :) E nós vamos aprendendo... LOL
Cristina
Eu tb recorro a esse tipo de muletas, e dão cá um jeitaço ;)
flor maria, n usei tecnica nenhuma, só a pessoal! ;P
qd digo expectativas, digo td o q vais querendo q aconteça de uma determinada [tua] maneira, segundo uma determinada [tua] ordem e por algum motivo q n passe necessariamente por nada clinico, isso n aconteça. E podem ser coisas simples, como ele n gostar de falar/brincar/estudar/whatever a coisas mais "complicadas" no futuro...
às vezes oiço dizer "pois, ele/a é assim, foi a vida q escolheu"...em jeito de resignação, mas n de orgulho percebes?
afinal temos q viver a vida q os nossos pais projectaram p nos ou a q nos queremos projectar?
e qd a bota n bate c a perdigota? qm n devemos/podemos defraudar? nós ou eles?
confesso....sou ceptica em relação ao "no matter what"..e n é por ainda n ser mãe, mas sim por ainda ser filha...capice? ou queres q seja ainda mais leiga? :P
bj meu
Espero então (e pronto, lá estamos a falar de expectativas, ñ é?) dizer sp: foi esta a vida q ele(s) escolheu(ram) com orgulho, seja esse ou não o caminho q eu gostaria q eles tivessem escolhido.
Tu dás luta! ;) Eu Gosto!
Discutia hj com uma colega, q tb gosta de discutir estas coisas da maternidade, e embrulhado na discussão do casamento entre homossexuais, q tenho como missão de vida mostrar-lhes o mundo, os diferentes estilos de vida, para q o leque de escolhas deles seja o mais abrangente possível. E acima de tudo consciente.
Ainda q por agora se discuta mais se vamos ter um bolo do Noddy ou do Faísca. :)
espero eu [ó p mim tb a ter expectativas! :P] q seja essa a pedagogia a adoptar nas gerações vindouras. alargar/aceitar/compreender outros horizoxntes q n aqueles apenas "impostos" pelos pais: pessoal, academica, profissional, social, sexual [e outros] mente falando...
já do teu "grande" dilema caseiro, só te posso desejar BOA SORTE! lool
bj meu
e metendo-me na discussão penso: será que somos nós os responsáveis por lhes abrir os horizontes?! Quero dizer, sim, dar-lhes todos os instrumentos e para isso, acredito, bastará a nossa vida. Se eu tenho jornais em casa. Se os levo ao cinema. Se lhes respondo com franqueza ás questões que me colocam. Se os ajudo a saber pensar/criticar/interpretar as noticias da televisão ou os comentários que trazem da escola. Isso é o nosso "abrir-lhes os horizontes". O resto farão eles. Ler mais, ouvir mais, fazer amigos... isso será a vida deles com base nos instrumentos que nós lhes demos e que é a tal da "educação". E depois o que eles fazem com isso, o que daí resulta voltará a nós e aí: seremos capazes de aceitar a diferença deles?! E será que o "no matter what" é necessariamente um aceitar tudo de olhos fechados? E se não aceitarmos o que fazemos ao "amor"?!
Márcia,
mete-te à vontade. Eu gosto mto deste tipo de discussões.
Assumindo q estamos a falar no vazio. Somos todas ou quase todas mães de crianças mto pequenas. E como dizia atrás esse tal do amor no matter what ainda não foi posto à prova.
Eu quero acreditar q o amor prevalecerá sobre todas as expectativas. Não tenho, para já claro, expectativas pessoais, profissionais, sexuais ou outras q tais q não passem pelo facto de querer, acima de tudo, q sejam felizes. Sejam eles médicos ou canalizadores, expansivos ou acabrunhados, católicos ou budistas, hetero ou homossexuais. Não tenho!
Não temos q aceitar tudo o q vier deles, nem q concordar com todas as suas decisões de vida. Era só o q mais faltava. Da discussão nasce a luz, já dizia o outro. Agora, não deixaremos de os amar por isso. Isso tenho for granted.
A beleza deste mundo está na diversidade, ñ é?
Que não deixaremos de os amar, nunca, também dou por garantido.
Que consigamos conviver com eles, conversar com eles, ter orgulho do que fazem ou ser seus amigos já não sei. Pode amar-se muito alguém e não se ser capaz de nada disto.
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