O Dr. tem razão.
Ninguém o nega. Ninguém, pelo menos, que pense nestas questões da educação, da m(p)aternidade o pode negar.
(E já agora também podíamos começar a aplicar a castração em potenciais futuros mães/pais que não terão nunca disponibilidade de tempo/financeira/laboral, logo, de «afectos», para estar com as criancinhas despejadas por sua livre e espontânea vontade durante horas intermináveis em creches. Ou melhor, comecemos pelos números da mortalidade infantil. Se calhar é melhor deixar essa coisa de ter filhos para os países ditos desenvolvidos, porque essa coisa de ter crianças para que provavelmente morram, ou para que venham a ser despejadas em infantários não está com nada. Comecemos com a segregação. Por algum lado há que começar.)
Cinismos à parte, vamos ao que é sério.
É óbvio que qualquer pai/mãe atento, zeloso, preocupado gostaria muito de poder não ter as crianças no infantário mais do que as horas recomendadas. A mim dói-me ouvir/ler estas coisas. Nem sequer é pelos meus filhos, que, felizmente, raramente lá ficam mais do que 7 horas. Mas não é, infelizmente, a nenhuma entidade patronal ou a nenhum governo que o agradeço. Agradeço-o à minha família alargada.
A mim dói-me ler estas coisas pela V., parceira de sala do meu filho mais novo, que lá fica às 7 da manhã e cuja mãe já vi chegar, de táxi, para não chegar muito depois das 19.00h, hora a que fecha a instituição. Dói-me pela M., a quem acontece o mesmo. Ou quase.
Dói-me a mim, mas acredito que doa muito mais aos respectivos mães/pais, por não conseguirem dar a volta à questão. Porque acredito que gostam tanto dos respectivos filhos como eu gosto dos meus. E porque têm tanto direito a conhecer o amor de mãe/pai como eu tenho. Têm é menos tempo para o demonstrar.
E não me falem em opções de vida. Que cada um fará as suas e todas elas são legítimas ou defensáveis. Opções de vida podem fazer-se quando podemos trabalhar em part-time; quando podemos ficar em casa, porque o ordenado mínimo é superior a €450,00 e o médio é superior a €800,00; quando há escolas públicas, gratuitas, com horários adequados à realidade laboral de um país.
Emigrar pode ser uma opção, é verdade. Mas não terei eu o direito de viver no país onde nasci? Não deverá ser essa também uma opção de vida?
E exigir mais para mim, para os meus, para os outros? Mais tempo, mais dinheiro, para que cada um de nós, pais, possa em consciência, escolher a quantidade de horas diárias que quer passar com os seus filhos. Não é, ou deverá ser, também uma opção de vida?
Concordo consigo, dr., tem alguma petição que eu possa assinar, alguma medida para propor, ou ficamo-nos, como sempre, só pelas palavras?
24 comentários:
Claro que nos ficamos pelas palavras...
Porque doi a alguns deixá-los no colegio porque estamos a trabalhar, e eles agarram-se ás nossas pernas e deixamo-los mas trazêmo-los no coração sempre...
...ainda assim há pais que preferem deixar os meninos mais um "bocadinho" no colegio, e isto ao fim do dia, e pagar multa, mas fazer as compras e depois ir buscá-los mesmo no limite e o comentario é : já que estamos a pagar ficam lá até ao fim...e sim eu já ouvi disto...e muito mais!!!
Eu ja disse noutro blog q ele devia era concorrer a primeiro ministro ou a ministro da educação.
Sabes o problema grave nisto tudo? É q, Domingo, votemos em quem votemos, nao vamos ver nenhuma das tuas perguntas respondidas. Nenhuma.
Eu so gostava de acrescentar uma coisa: eu, como tu, tenho uma familia alargada que permite que os meus filhos fiquem 7 horas no colegio, q fiquem em casa qdo tem o nariz entupido... mas tb nao critico os pais q deixam os filhos mais meia hora para ir as compras. Nao critico, pq eu sei o q é fazer compras com dois miudos de ano e meio e 4 anos e nao o desejo a ninguem. LOLOLOL
Carla,
o infantário dos meus filhos está aberto 12 meses por ano, eu pago os 12 meses, e o infantário envia todos os anos para os papás o regulamento em q especifica q as crianças TÊM de se ausentar por 22 dias, pelo menos. É como quem diz: Ir de férias, estão a ver? É q eles tb precisam. aso contrário, mta gente diria isso tb. Ora, se pago o ano todo, eles devem/deviam poder ficar os 12 meses. :S De resto, estou com a Fren. Quem nunca fez compras com 2 miúdos atrelados q atire a primeira pedra. :)
Agora a sério: não me interessa nada q os outros pais deixem ficar os miúdos as horas q quiserem, cada um sabe da sua vida. Custa-me, a mim, não os poder ir buscar eu, mais cedo. Custa-me mais ainda não ter outra opção.
Li á pouco... e doeu-me muito, mais ainda quando vejo que Alice continua a sofrer com a adaptação ao infantário, com a avó cansada não tenho onde a deixar...
Alice entra ás 8.30h e sai ás 17h (vem de carrinha até a casa de avó)
Alice fica 8horas e meia no infantário!
Se me culpo, culpo! Mas tento compensar ao máximo ao final do dia, e não ponho nada á frente delas, se for preciso lavo bancadas e faço jantares com ela no meu colo.
Agora vê-la a chorar á volta das minhas pernas isso é que não!
Por cá sempre fomos ás compras com elas... se me atrapalham, não! Demoro mais tempo, mas tudo isso faz parte do processo crescimento, aprendizagem da vida social, dia-a-dia.
Tenho a sorte de poder vir a casa á hora de almoço e adianto roupas, jantares e tudo preparado para os banhos :)
Ao q interessa: no domingo tá lá o teu nome?? :DD
Eu conheço uma mãe que só tem folga á 4ª feira. Pois foi uma guerra ela explicar no infantário e mais tarde pré que esse dia era para o filho ficar com ela.
E ponto final. E conseguiu com que todos respeitassem esse dia, não marcando, por exemplo qualquer viagem á 4ª feira, nem outro tipo de actividade especial.
Quanto ao resto, não culpo ninguém. Mas, sou sincera quando digo que, no momento em que a escola do meu diogo começar a abrir ao sábado até ás 22:30 (está planeado) eu vou aproveitar muito de vez em quando para conseguir ter um jantar calmo com o meu marido. Mas também não me entendam mal, iria pô-lo por exemplo pelas 19:30 e ia buscá-lo pelas 22:00 ou logo a seguir ao jantar se este acabasse mais cedo.
Critiquem-me...ou compreendam-me.
Em relação ás horas diurnas, para quem trabalha no comércio, e entra ás 9:00 saindo ás 19:00...haverá alternativas?
Tenho a sorte da mais nova não ter de ir para o berçário aos 4 meses, como o irmão foi...ela vai ficar comigo até aos 12 meses. E só eu sei o que me custou ter de deixar a minha migalha de 4 mesitos todos os dias no berçário. E sempre que pude levei-o para a casa da avó pela hora de almoço..ou logo a seguir.
Mais tarde ela ia buscá-lo sempre ás 16:00. E durante 6 anos ouvi bocas por causa disso. Que estava cansada, que era nossa escrava, que estava farta, que ia morrer mais cedo por culpa minha, e bla bla bla...
E aguentei. Pelo bem estar dele.
Olá Flores,
Eu sou amiga da dona do colegio onde os meus filhos andam.
E ela conta-me coisas de bradar as céus.
Nunca me falou de nomes. Mas há pais que têm uma postura completamente egoista!
Os meus filhos entram ás 8.30 e vou buscá-los às 6.30.Não tenho alternativa nem familia por perto que me possa valer.
Mas constantemente deixar os filhos até à ultima por nada, parece-me triste e demasiado egoista.
Ou, como referiste os meninos não terem férias...ou sejam passam lá as férias...
chegaram a dizer-me que havia pais que iam com os fatos de banho/biquinis e o belo do chinelo deixar lá os miudos e isso custa-me...
Mas claro que nao tenho nada a ver com isso e como dizes cada um sabe da sua vida...
Ah!E eu levo os meus 3 ás compras...e eles adoram e portam-se bem!LOL Stressa mais o pai! LOL
Há pessoas que têm uma vida mesmo difícil, e que não têm opção. A coisa que me faz confusão é estes textos não se lembrarem dessa realidade... eu tb assino por baixo...
oh Flores na ex escola delas havia pais que simplesmente não tinham férias. NÃO TINHAM. ai e tal a lei ai e tal é obrigatório... mas afinal em que país é que as pessoas vivem mesmo? não é no meu certamente. aqueles pais faziam um sacrifício brutal mas achavam q do mal o menos era não os abandonarem na rua ou entregarem aos irmãos pouco mais velhos. se tinha pena das crianças? claro que sim. se culpo os pais? oh pá, sou uma fraca. não consigo!
Zuza,
mea culpa, again. Raio de umbigo gigante o nosso, q só o vemos a ele. ;)
Flores - acredita. Apesar de ser um país tao pequeno tenho perfeita noção q devo viver e ver só um cantinho dele...
Os meus entre escola e ama ficam 10 horas por dia na totalidade, não tenho remorsos, pq n tenho outra alternativa, começo a trabalhar ás 9 horas e saiu às 18.30, não posso nada mais...
Os srs doutores deste país sabem muito bem condenar os outros, ainda que com voz melosa e olhar sapiente. Sei de um a quem eu desejaria passar uma rasteira numa estrada lamacenta em dia de muita chuva. Só porque sim. Porque "tem a mania".
Os meus filhos ficam sempre entre 9 (mínimo) e 11 (máximo) horas no colégio.
Acho um pavor, sinceramente. Ainda não consegui encontrar uma forma de dar a volta a isto, e todas as alternativas trazem outras questões igualmente más. Seja como for não me sinto culpada, não há outra forma de o fazer, neste momento, pelo menos. Tenho apenas muita pena que as coisas não possam ser diferentes.
A mim o que me vale é que tenho familia para dar e vender, e a cachopada vai para casa a horas decentes lol, caso contrário teriam que lá ficar das 8 ás 8:(
Poism se essas pessoas conseguissem descer um bocadinho cá abaixo, e vissem a dificuldade real da maioria dessas pessoas que apontam, talvez deixassem de apontar..., digo eu...
Os meus ficam 9-10 horas. E às vezes ficam mal-dispostos ou com um bocadinho de febre.
Não tenho volta a dar a isto. Não tenho. Não tenho ninguém, nenhum apoio, a menos de 500 km. Nem sequer uma amiga próxima, que me dê uma mão. E o pai está fora 1 semana por mês.
É a vida. Cá é ilegal, e eles só ficam mais que as 8 horas permitidas por lei, porque a escola é privada e quem paga, manda. Culpo-me muitas vezes. Mas sou a melhor mãe que consigo ser e acho que fazemos imensas coisas com eles. Estamos aqui todos para eles poderem ter a mãe e o pai ao pé.
Há muitas situações em que não se tem férias. Aconteceu com o pai cá de casa no ano passado. Basta mudares de emprego. O anterior paga as férias mas não as gozas. E tens que começar logo no novo.
Odeio esse Sr. Dr.
Não acrescentando nada à conversa. Sei que no meu caso específico é a única hipótese - 10 horas na escola - mas sinto-me culpada...
Enfim!
Tal como tu, também tenho uma familia alargada, que me serve de apoio em todas as horas,e por isso a Madalena sai às 16.00 do colégio.
Mas, a maioria das pessoas não tem uma estrutura familiar assim.
Este doutor, como todos os outros, dizem algumas coisas que fazem sentido, mas na minha opinião, a maior parte do que dizem não faz sentido, não no mundo em que vivemos, e por isso não deixo que me façam sentir culpada, porque eu sou a melhor mãe que posso ser.
E sempre que posso deixo a Madalena com a minha mãe para ir às compras, e agora que até já se adaptou ao colégio, também a posso lá deixar para o fazer, ou até para ir à praia, que um dia não são dias, e eu também preciso do meu tempo, e não a deixo propriamente num campo de concentração.
Beijo grande minha Flor
[não recebi emilio nenhum ó Dona Flores]
Li o teu texto e tínhamos andado no FB a comentar e a tercer os mesmos argumentos.
Eu tenho família reduzida, esforçava-me para simultanemente evitar que o miúdo ficasse mt tempo no colégio e trabalhava a 300%, levava trabalho para casa, geria o departamento e não tinha trabalho em atraso meu ou dos meus e mesmo assim levei o castigo da entidade patronal, no dia em que anunciei a segunda gravidez! E disto ninguém fala!
Devido a isso, tenho a facilidade de não os ir buscar muito tarde ao colégio - bom ou mau... é o que temos! Mas também conheço um caso em que as miúdas são das primeiras a chegar e sempre as últimas a sair.
Ontem a mãe ligou-me a pedir ajuda! Quem poderia negar? - nem que seja pela miúda, que está a sofrer!
Beijinhos
Nem mais!
Onde é que eu assino, por favor?
beijinhos!
tás mm à espera q o Sá "peticione" para mudares o post? :PP
sim, estou a trabalhar e tenho q descomprimir em alguém LOL
Não li os comentários mas realmente há pais que estão desempregados e deixam os filhos na instituição todos os dias das 9 às 6 da tarde. Isto dito pela directora na reunião anual da IPSS.
Quero acreditar que estão à procura de emprego, que têm de ir a entrevistas, etc...mas sinto pena que tenha de ser assim.
Ui, o que este assunto me diz respeito! Eu estou como a Cristina, das 8/8:30 ás 19 - 10 a 11h. Se tenho remorsoso?! Tantos q pondero largar o meu emprego de ordenado médio para um de ordenado mínimo a fim de estar mais tempo com elas. Vergonha?! nenhuma! Entro ás 9h a quase 40Kms da escola delas e saíu ás 18/18:30 do mesmo sítio. Os avós moram a 50Kms e já são um espanto que doentes as meninas têm onde ficar.
País justo? Pois! Direitos?! Claro! Que o patrão precisa e deixa-se os direitos... pq nós precisamos do patrão! Ah pois é. Mas, e n preciso de gente mto esperta que me o diga, sei que é um atentado elas estarem tanto tempo longe de mim (e é de mim mesmo!) e ando doida que ao primeiro emprego de 500€ (ok, mais um cadinho) que me dêem perto delas eu mudo, mas mudo. Ando tão triste por isso!
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