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quarta-feira, 10 de março de 2010

A verdadeira irmandade

Pediu para dormir com o irmão, planeou tudo, como só ele, avisou toda a gente. E disse que seria para sempre, num ímpeto fraternal pouco habitual nele, mais habituado a ser ele o rei e o outro o subordinado.

O ímpeto durou uma noite. Na manhã seguinte avisou o mais novo de que acabara de ser despejado da cama dele. Que se mexe muito, acusou, e dormiu mal.

(Quanto a mim, foi giro, enquanto durou.)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Desgostos de amor, quem os não tem...

O meu filho sensível acordou da sesta um destes dias e disse-me, com os olhos brilhantes, que já não podia convidar a D. para os anos dele porque ela lhe disse que não era namorada dele, e que não gostava dele, gostava do outro M.

O meu filho sensível tem no outro M. o melhor amigo e, acho que muito por causa disso, quer partilhar tudo com ele, namorada inclusive. Eu, que sou pouco dada às mariquices dos arranjos de namoricos entre criancinhas tão precoces, fiquei com o coração apertadinho porque a D. não vê que o meu M. é o menino mais lindo do mundo, e o mais sensível, e fica com lágrimas nos olhos só porque ela lhe diz que não quer namorar com ele.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O puto tem piada I

Cenário: eu a tentar convencê-los a ficar com os avós paternos, no decorrer da próxima semana, aliciando-os: e depois vão para a piscina, e está lá a prima, e vão brincar imenso, e tal... E depois a mãe e o pai vão lá buscar-vos no fim-de-semana.

Puto a fazer-se de desentendido:

- Então e depois quem é que me faz coceguinhas?

(M., 4 anos e meio, e ainda gosta que lhe passe a mão pelo pêlo, que é como quem diz, que lhe faça festinhas nas costas para adormecer.)

(Acho que os meus planos de semana sem filhos com cinema, jantares e desbunda vão por água abaixo não tarda nada.)

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Vê-los crescer

Tem 4 anos e (quase) meio e é um miúdo absolutamente normal. Gosta de brincar com animais, ver filmes, comer gulodices, ouvir histórias, mas achava eu que era pouco dado às artes. Achava. Até ter recebido hoje os trabalhos da escolinha. Começaram «oficialmente» as férias e as obrigações, e já vieram os livros e desenhos que resumem o ano escolar. Mais, atestam o crescimento dele. Estou esmagada. No primeiro desenho da pasta, sem data, mas que deve corresponder a Setembro/Outubro do ano passado temos uma pêra verde e amarela, riscada, essencialmente. Depois de começar a acertar nos desenhos (dentro deles, digamos), passou por uma fase monocromática. Um urso é todo laranja, uma foca toda cor-de-rosa (assim ao estilo Picasso. :)) Quase no final temos uma camioneta, cheia de meninos, multicolorida. Castanhos, verdes, laranjas, rosas, pretos, numa (des)harmonia perfeita aos olhos de uma mãe.

Mas o melhor mesmo é o retrato do dia de família: num desenho feito por ele temos a mãe, o pai, a avó, o avô (presumo que achou que a parte representava o todo), o tio, a tia (again, presumo que achou que a parte representava o todo), ele e o mano. Com pormenores fantásticos. Todos com barriga, a mãe de cabelos compridos, bocas, narizes, olhos, e todos, todos de mãos dadas. São os (a)braços protectores da família alargada. É maravilhoso que saiba já que o mundo dele é vasto e que vai além do núcleo pai/mãe/irmão.

E para a semana vai para a praia, sozinho, com os amigos. Já informou o irmão que isso é coisa de crescidos. Só quando for tão grande como ele é que pode ir. Não que o irmão seja bebé, faz questão de dizer, mas os amiguinhos da sala dele é que ainda são, informa. :)

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Politiquices

«Participou» ontem no seu primeiro acto eleitoral. Ao longo de todo o dia ouviu a família dizer que tinha que ir votar. Lá lhe expliquei mais ou menos o que isso queria dizer. Foi comigo inchado de orgulho, e ainda me pediu baixinho para escrever o nome dele que já sabia fazer a letra M.

Era uma boa letra para inscrever no boletim de voto destas eleições.

E o dicionário de perguntas difíceis avança ou naão. Europa, votação e votos nulos são demasiados conceitos para um dia só.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Quantas vezes é legítimo telefonar à educadora

ao longo de um LONGO dia de passeio?

sexta-feira, 29 de maio de 2009

É mais forte do que ele

- É hoje o dia do passeio, mãe?

- Não, querido, ainda falta passar o fim-de-semana.

- Ah. Eu tenho uma coisa na escolinha para o passeio, mas não posso dizer o que é. É uma coisa para vestir, mas elas disseram que eu não posso contar nada. Está bem, mãe?

terça-feira, 5 de maio de 2009

Dificuldades

minha e dele. Minha em lidar com a situação. Dele, em partilhar.

E o expoente máximo aconteceu esta manhã, enquanto tomava o pequeno-almoço. Preparava satisfeito o seu pão, onde espalhava manteiga e que cobriu com 2 generosas fatias de queijo. O irmão pedinchou-lhe uma e ele recusou-se a dar-lha porque era(m) a(s) última(s). Obriguei-o a repartir e perante o choro dele o irmão devolveu-lha. (A mim também não me cairia bem no goto. A ele caiu. Até se fartar e dizer que já não queria mais pão.)

É tão pouco generoso este meu filho.

Viu o irmão com uma t-shirt vestida, que era dele até há pouco tempo, e logo a reclamou para si. Perante o meu, «já não te serve», virou-se para o outro e diz-lhe: É minha, mas eu empresto-te, mano!

(Fiquei esmagada com tanta «generosidade». :S)

Tenho tanta dificuldade em lidar com isto. Tanta, tanta!

terça-feira, 28 de abril de 2009

Sorriso Pepsodent

Se se cruzarem na rua com um morenaço giro, e ele vos fizer o melhor sorriso pepsodent do mundo, desenganem-se, não é só simpatia.

É orgulho pelos dentes ainda mais branquinhos.

(Foi a primeira ida à higienista oral.)

quarta-feira, 11 de março de 2009

São todos iguais

ou ele anda a ler os mesmos blogues que eu. :)

Ontem, do nada, pediu-me um cão.

Que queria porque queria, que tomava conta dele e brincava com ele. Que ele não se ia aborrecer por ficar todo o dia trancado sozinho em casa. Depois da lavagem cerebral do não querer cães em apartamentos, coitadinho, já viste?, calou-se, mas não por muito tempo...

Passámos por um senhor a passear um caniche e ele, de imediato: vês, mãe é um daqueles que eu quero! (sim, sim, espera aí que eu já te atendo.)

Hoje,

sabes, mãe, pintei uma caixa para o pai, é para oferecer no dia do pai, mas é segredo. (ah, pronto, ainda bem que avisas.)

quarta-feira, 4 de março de 2009

É oficial

começou o mix vida social/infantário. Pediram-me autorização para dar o meu número de telefone para que o rapaz fosse convidado para uma festa de um amiguinho.

JÁ????

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

e 4

Falta um mês certinho para completar o 4.º aniversário. E enche-me de orgulho.

Resolvida a questão das unhas, passámos a outra: os doces. (Andarei sempre a arranjar sarna para me coçar ou em minha casa mando eu, mesmo quando não estou?! :))

O puto ensinou os avós que não pode comer guloseimas sem ser ao fim-de-semana (as coisas estranhas que os netos ensinam aos avós!) e, lá anda ele, feliz e contente com a resolução (ainda que logo à segunda-feira pergunte se é fim-de-semana. :D) e com o auto-controlo (auto e fraterno, diga-se de passagem, que ele não come e não deixa comer.:))

Ora, e tendo em conta a liberdade que lhe demos podíamos pensar que o fim-de-semana seria um desregramento completo. Pois que não, que a primeira ainda aceita, mas à segunda oferta do avô/amigo/vizinho/whatever já está a dizer: Obrigado, mas já comi uma guloseima, hoje.

Orgulho, orgulho, orgulho.

Coisa linda esta, a das crianças que educam adultos. :)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Inter-actividades










Adora assistir a todos os espectáculos a que os levamos. Todos. Repito, assistir, não lhe peçam, por favor, para participar no que quer que seja. Isso é que não.

Ontem, a propósito desta oficina de contos, baseada no livro Orelhas de Borboleta, saímos de lá sem participar em nada, mas com uma lição aprendida.

Não faz mal ser envergonhado. (Como não faz mal ter orelhas grandes ou ser rechonchudo ou ter cabelo de palha d'aço.)

sábado, 20 de dezembro de 2008

Foi bonita a festa, pá!

Quase 4 anos de maternidade, 6 festinhas de Natal, muita fotografia e apresentação de powerpoint depois e eu a pensar que já estava imunizada.

Qual preparação qual quê. Não há nada que se compare à primeira actuação teatral da rapaziada. Tão linda a minha árvore. Atrevo-me a dizer que era a mais linda de toda a floresta. Ali quietinho, sorriso tímido quando nos viu. Tudo a correr tão bem e eu a pensar: estou mesmo imune.

Até que a filha da mãe da representaçãozinha chegou ao fim, os putos levantaram-se todos e desataram a cantar:

Broas de Mel
Já caem do céu
Não temos tempo a perderrrrrrrrrr
Amanhã é Natal
E nós AH AH
Temos tudo por fazerrrrr

E nem o inusitado das broas a cair me conseguiu abstrair o suficiente e lá ficaram o raio dos olhos embaciadinhos de tanta emoção. Valha-me que, nestas alturas, ninguém se atreve a olhar para o lado.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Por registar

desta feita fomos pedir os santinhos (noutros lados o Pão por Deus, noutros ainda o Doce ou Travessura.) e viemos, contentinhos da vida (Pudera!), com um saco cheio de rebuçados, beijinhos, nozes e umas moeditas.

Anda há vários dias a perguntar a toda a gente: Queres um santinho, queres?

A vergonha abala que é um instante quando em causa está o encher o saco a gulosos. :)

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Dos genes

ou dos gostos que passamos aos filhos.

(Semana passada, 2 dias seguidos com as mesmas sandálias nos pés)

- Oh, mãe, não posso levar os mesmos sapatos todos os dias!

(Vestido no modo «fim-de-semana» - com calções e t-shirt de algodão - e de botas novas nos pés, que já não queria largar nem por nada)

- Estou tão giro, não estou, mãe?

(Estás. Um must!)

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Macho, macho man

- Mãe, gostas de princesas?

- Gosto, querido, mas gosto mais de príncipes, que é o que há mais cá em casa.

- Eu não, eu gosto de maus.

(E, pronto, andamos nisto.)

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Choraminguices

Devo ter a única criança do mundo (e arredores) que chora porque NÃO vai às vacinas.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Cresce

Está a contar-me que o irmão o mordeu noutro dia (meaning, ontem) e que isso não se faz e blá, blá, blá...

O irmão vai reclamando num linguajar que ainda ninguém entende e ele diz:

- Mano, esta conversa não é do pai, é comigo!

(Mai' nada!)

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Musicalidades

Tem um sentido rítmico fabuloso. E gosta de tudo o que é instrumento musical.

Este fim-de-semana estreou-se com o pai: ele no baixo e o pai na viola. Depois, descobriu em casa dos avós uma melódica minha que não largou mais e levou-a à música do ba-ba-bá (Concertos de música para bebés. Ele chama-a música do ba-ba-bá por causa do CD).

Passou o tempo todo com a melódica na mão e na boca e a perguntar: Já posso tocar, mamã? Já posso? Participou em tudo (quis mexer no cravo, fazer o comboio e mostrou os dotes e o instrumento a toda a gente. - coisa rara nele, que é low profile)

Eu já me resignei. Afinal não vai ser jogador de futebol, vai ser músico profisional. :)